Crianças do Brasil: O Socialismo é bom , o Capitalismo é mau...

30/12/07

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Postado em 21/09/07


A demonização do capitalismo e glorificação do sistema socialista como salvação da humanidade é o tipo de pensamento que se for bem difundido na sociedade, agrada e muito os esquerdistas que atualmente estão no poder. "Coincidentemente", o livro "Nova História Crítica, 8ª série", distribuído gratuitamente pelo MEC aos alunos de escola pública deixa bem claro que essa mensagem pode ser trabalhada desde cedo em futuros eleitores.




Falar das mazelas trazidas pelo capitalismo selvagem e imperialista não é prejudicial, ruim é deixar de ser crítico o suficiente e mostrar que o socialismo teve suas falhas e mostrar apenas sua face utópica é espalhar sua fama de funcionar apenas no papel e nos sonhos de seus primeiros visionários.

Veja alguns trechos do artigo O que ensinam às nossas crianças, publicado no jornal O Globo de 18/09/07 e de autoria do jornalista Ali Kamel:

"Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático “Nova História Crítica, 8ª série” distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.

Sobre o que é hoje o capitalismo:
“Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários.”

Sobre o ideal marxista: “Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores.”

Sobre Mao Tse-tung: “Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador.”

Sobre Revolução Cultural Chinesa: “Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes ‘politicamente esclerosados’. (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: ‘Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo’. As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo.”

Sobre a Revolução Cubana e o paredão: “A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular.”

Sobre as primeiras medidas de Fidel: “O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%.” Essas medidas eram justificadas assim: “Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde.”

Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: “Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA.(...) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?”

Sobre os motivos da derrocada da URSS: “É claro que a população soviética não estava passando fome. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas... Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinha inveja da classe média em desenvolvimento dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?”

Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas um pesadelo?

Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Senão for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém. "

4 opiniões:

MMC disse...

A despeito de eu ser meritocrática e capitalista até a alma (daquelas que comem criancinhas - sei que esses eram os comunistas), considero essas manifestações favoráveis ao socialismo extremamente preocupantes. Ao afirmarmos que o socialismo é essa beleza de sistema, vamos apagar da história todas as atrocidades que se cometeram em nome desse regime. Não estou negando as atrocidades que se cometeram em nome do capitalismo - considerado extremamente selvagem. Só vejo que, apesar das idéias marxistas serem lindas, não é fácil aceitar que todos, sem considerar o esforço que cada um vai depreender, merecem as mesmas recompensas. Merecem, isso sim, as mesmas oportunidades. O que sabemos que não acontece nos regimes socialistas que existiram e ainda existem no mundo.

Paulo disse...

Este comentário do Ali Kamel, é uma divagação ao passado.
Tal livro foi adotado nas esolas em 2002 e já saiu da relação de livros do MEC.
Quanto ao merito da questão, critica ao socialismo, tanto a materia como o comentário me faz lembrar do tempo jurassico da guerra fria.
Mentiras de lá e mentiras de cá.
A verdade é que o sistema economico ora vigente, não tras soluções para os problemas da raça humana.
O resto é discutir teorias aprendidas na base da "decoreba" mos bancos das universidades.

Anônimo disse...

Como Churchill disse, o capitalismo é muito ruim, só não é pior que todos os outros.

João disse...

Estou me formando em História e posso garantir que as informações, tirando as que denotam a posição pessoal do autor, não são falsas. O problema é mostrar apenas um lado da História, mas isso cabe também ao professor como informação complementar. Mas a questão não é sobre o livro didático, são jornalistas de direita criticando que os livros não defendem as opiniões da direita, exatamente como os ultra esquerdistas criticam obras literárias chamando de burguesas. A melhor demonstração disso é o final da matéria "uma ditadura que esmaga o indivíduo!" Que ridiculo! E quantas ditaduras capitalistas que fizeram o mesmo? Para quem está se doendo pelos livros de História, Então sugiro que façam uma faculdade de História e se depois de 4 anos ainda conseguirem achar que o capitalismo é uma maravilha, então escrevam livros didáticos. A história é o fato, a interpretação do fato é, em grande parte, a opinião do autor. As opiniões, quando bem fundamentadas, são baseadas a partir da observação dos fatos, e as opiniões desse autor, em grande parte, estão em sintonia com a comunidade acadêmica do âmbito da historiografia.